terça-feira, 27 de novembro de 2007

Kala Pattar. 5545m

“Parado no topo do mundo, um pé na China e outro no Nepal, limpei o gelo da minha máscara de oxigénio, virei um ombro contro o vento e olhei para a vastidão do Tibete. Sabia que, por baixo dos meus pés, estava uma vista maravilhosa. Fantasiei com este momento e de como me iria sentir desde há muito tempo. Mas agora que aqui estava, no topo do Everest, simplesmente não conseguia reunir energias para me preocupar. Apenas me sentia cansado e com frio.”

Não. Não é uma descrição minha. Esta frase é de Jon Krakauer, que abre o livro Into Thin Air, que descreve a sua ascenção à montanha mais alta do mundo. Pois não sou eu. Como diz o nome do blog, estive apenas QUASE no topo do mundo.

Dia 2 de Novembro. Kala Pattar. 5545 metros de altitude. Ainda não eram 7 horas da manhã e estava muito frio. Tínhamos acordado bem cedo para chegarmos ao ponto mais alto do nosso trekking, para assistir a um nascer do sol muito especial: iria aparecer por detrás do pico do Nuptse que, com 7861m, é das montanhas mais altas do mundo.






O momento foi único e real. Não pude deixar de pensar onde tudo tinha começado, esta paixão pelas caminhadas e pelas montanhas. O primeiro momento foi sem dúvida a minha ida para os exploradores, nos escuteiros. Com 11 anos, as caminhadas eram das actividades que mais gostava. O segundo momento terá sido a minha entrada para o Curso de Geografia, onde me maravilhei com as cadeiras de Geografia Física e de Geomorfologia, nas quais falávamos de montanhas e serras, e as compreendíamos. Já tinha então as caminhadas e as montanhas, mas faltava algo...

O momento em que se fez luz foi já depois de acabado o curso. Ganhei uma bolsa para ir estudar uns meses para a Suécia. Felizmente para mim, o meu orientador não estava lá como combinado, e vi-me com tempo livre para passear. Escolhi a Noruega e os seus fjordes. Numa viagem de comboio, entre Oslo e Bergen, atravessámos o Planalto Central, terra de ninguém, agreste, com gelo, neve e calhaus. Tal não foi o meu espanto que, numa estação perdida no meio do nada, imensa gente, de mochila às costas e com roupa estranha e colorida, sai do comboio e põe-se a caminho. Chegado a Bergen, fui investigar. E descobri toda uma rede de trilhos e albergues, por entre montes e vales.





E foi aí que se juntou 1+1. Desde então não tenho querido outra coisa. Já estive nos Pirinéus e nos Alpes (franceses, suícos e eslovenos), nos Picos da Europa e na Serra de Gredos, e achei que no ano em que fizesse 30 anos, deveria fazer algo de especial. E nem me passou outra coisa pela cabela senão ir...para os Himalaias.

domingo, 18 de novembro de 2007

Início de um (curto) Blog

Ora então cá vai. A pedido de várias famílias, decidi criar um blog. Para aqui poder mostrar fotografias e desenhos, partilhar pensamentos e sensações, contar aventuras e desventuras, da grande viagem que realizei recentemente. É o meu primeiro blog, e a isso obrigou o destino escolhido: Nepal e os Himalaias.

Não será propriamente um blog onde vou estar a contar os acontecimentos à medida que forem acontecendo. É que já parti e já regressei. O objectivo é mesmo partilhar com os amigos e família (e a outros mais) os dias que passei (quase) no topo do mundo.

Os acontecimentos ainda estão bem frescos na minha memória, portanto para parecer mais como um jornal de viagem, cada mensagem aqui colocada será uma pequena descrição de cada dia passado em viagem, com algumas fotografias à mistura. Mas como uma viagem não começa no aeroporto, irei começar por contar os caminhos que me levaram a escolher os Himalaias como destino desta viagem. Mas isso fica para a próxima mensagem.

Até breve