“Parado no topo do mundo, um pé na China e outro no Nepal, limpei o gelo da minha máscara de oxigénio, virei um ombro contro o vento e olhei para a vastidão do Tibete. Sabia que, por baixo dos meus pés, estava uma vista maravilhosa. Fantasiei com este momento e de como me iria sentir desde há muito tempo. Mas agora que aqui estava, no topo do Everest, simplesmente não conseguia reunir energias para me preocupar. Apenas me sentia cansado e com frio.”
Não. Não é uma descrição minha. Esta frase é de Jon Krakauer, que abre o livro Into Thin Air, que descreve a sua ascenção à montanha mais alta do mundo. Pois não sou eu. Como diz o nome do blog, estive apenas QUASE no topo do mundo.
Dia 2 de Novembro. Kala Pattar. 5545 metros de altitude. Ainda não eram 7 horas da manhã e estava muito frio. Tínhamos acordado bem cedo para chegarmos ao ponto mais alto do nosso trekking, para assistir a um nascer do sol muito especial: iria aparecer por detrás do pico do Nuptse que, com 7861m, é das montanhas mais altas do mundo.
O momento foi único e real. Não pude deixar de pensar onde tudo tinha começado, esta paixão pelas caminhadas e pelas montanhas. O primeiro momento foi sem dúvida a minha ida para os exploradores, nos escuteiros. Com 11 anos, as caminhadas eram das actividades que mais gostava. O segundo momento terá sido a minha entrada para o Curso de Geografia, onde me maravilhei com as cadeiras de Geografia Física e de Geomorfologia, nas quais falávamos de montanhas e serras, e as compreendíamos. Já tinha então as caminhadas e as montanhas, mas faltava algo...
O momento em que se fez luz foi já depois de acabado o curso. Ganhei uma bolsa para ir estudar uns meses para a Suécia. Felizmente para mim, o meu orientador não estava lá como combinado, e vi-me com tempo livre para passear. Escolhi a Noruega e os seus fjordes. Numa viagem de comboio, entre Oslo e Bergen, atravessámos o Planalto Central, terra de ninguém, agreste, com gelo, neve e calhaus. Tal não foi o meu espanto que, numa estação perdida no meio do nada, imensa gente, de mochila às costas e com roupa estranha e colorida, sai do comboio e põe-se a caminho. Chegado a Bergen, fui investigar. E descobri toda uma rede de trilhos e albergues, por entre montes e vales.
E foi aí que se juntou 1+1. Desde então não tenho querido outra coisa. Já estive nos Pirinéus e nos Alpes (franceses, suícos e eslovenos), nos Picos da Europa e na Serra de Gredos, e achei que no ano em que fizesse 30 anos, deveria fazer algo de especial. E nem me passou outra coisa pela cabela senão ir...para os Himalaias.
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